Pega mal ser feminista? - Reflexões de uma Professora de Ensino Médio


Como professora do ensino médio público, encontro no ambiente o grande laboratório das vivências em inúmeras “lâminas” que denunciam os processos e os resultados comportamentais e ideológicos dessa juventude.


Focalizando neste texto nas perspectivas das moças de 14 a 20 anos, pude observar as adolescências de infinitas possibilidades e panoramas. E me vem essa realidade: A jovem é machista.


Sim, a jovem atual não sabe ou não quer saber sobre feminismo. Falar de feminismo é complicado nas rodinhas, há moças que acreditam ainda que não podem ser românticas e feministas, religiosas e feministas, mães e feministas, femininas e feminista.

Essa concepção foi construída por inúmeras situações ao longo da vida dessas meninas, não sei se vem ao caso investigar neste texto, o fato é que há uma corrente de pensamento que marginaliza a idéia feminista e, claro, ocorre em todas as idades, entretanto quando se trata do jovem esperamos o renovo das percepções e é difícil lidar com o contrário.


Seria uma postura fóbica quanto ao movimento ideológico? Sim e por parte da menina para a menina. A professora aqui se posiciona, tenta desanuviar esses termos e dizer que não tem problema em querer os direitos, mostrar que a feminista não luta pela mulher somente, não pisa e repudia o rapaz, ela luta pelo ser humano que reside em todas.

A parte interessante é ver as divisões: a mocinha mais “padrão” de beleza não se importa muito com esses assuntos já que os rapazes a tratam muito bem e ela está “pegando geral” estalando os dedos e massageando diariamente o ego (elemento este que por muitas vezes ela nem sabe que a motiva tanto), mas que poderá perceber sutilmente a opressão do namorado que escolhe a roupa que ela vai usar ou que não a deixará cortar os cabelos e que ainda vai perder o interesse se ela engordar. Questão de sentimento talvez, questão de visão sobre a mulher certamente.


As mais estudiosas e menos focadas em relacionamentos já começam a questionar e são lidas como aquelas chatas, “cri cris” que estão precisando namorar. As gravidinhas estão muito preocupadas com o rapaz que pode ser o sonho de marido e que já está morando na casa de sua mãe com elas e já procura emprego ou serve o exército sendo para elas os eleitos na brincadeira de casinha da vida real sem refletirem muito sobre esses assuntos “políticos” a seu ver (política essa maçante para boa parte dos jovens) e rindo das piadas que exageram as reivindicações femininas, reforçando a imagem da Nazi feminista maluca.


Há as gravidinhas que não tem as mesmas perspectivas e começam a repensar seus papeis na situação toda, olham os moços futuros pais que já estão em novas conquistas, lidam com a família e com os deveres, dando uma brecha para os ideais de respeito e igualdade ainda não engolidos pela onda de novas tarefas, receios e preconceitos da sociedade que vão integrar.


Há também as moças mal vistas, que podem ser homossexuais ou que possuem histórias sobre a sexualidade machucada por traumas, que ainda não conhecem a palavra depressão, mas que são taxadas de excêntricas, esquisitas, “machudas”, doidas...


Ser mulher é tudo isso, são todas elas, não tem receita. Mas a escola é o ensaio do mundo e neste ensaio existe o modelo para ser uma garota e elas acabam sendo as ditadoras umas das outras. O feminismo está na essência de cada uma, mas parece precisar de fatores que o despertem nas vidas e nas ações dessas jovens.


Acredito que a briga é de cachorro grande, pois dentro do próprio corpo docente os mesmos comportamentos são arraigados e isso é refletido no material humano, nos nossos estudantes. Falar do empoderamento, das atitudes mais comuns que nos desrespeitam é encarado como exagero e no final fica aquela atmosfera de “sempre foi assim”, “sempre deu certo” ou “não sofro isso”, “isso é coisa de mulher revoltada”,“quando ela conhecer o amor, isso passa” em resposta.


Há muito a se fazer para mudar o mundo que convive com a mulher. Em primeiro lugar, há muito que se fazer para mudar o UNIVERSO dentro de cada jovem e adulta que se olha no espelho antes de sair todas as manhãs.

#feminismonaAmazônia #feminismo

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