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Eu pensei que se tratava de um procedimento médico, mas foi puro assédio - #MinhaHistoriadeViolencia

February 6, 2018

 

O que vou contar aqui aconteceu há pouco menos de dois anos numa clínica especializada, na cidade de Manaus. Eu já frequentava a instituição há algum tempo, sendo acompanhada por acupunturista e nutricionista, devido ao stress relacionado ao término do meu doutorado. Quando eu já estava um pouco melhor, decidi fazer RPG (Reeducação Postural Global) porque minha postura sempre foi uma bosta e isso estava me prejudicando também. 

 

Eu nunca havia feito nada do gênero, então não sabia muito bem o que esperar.  Já na primeira consulta eu me senti agredida pelo fisioterapeuta. O que foi que ele fez? Depois de verificar minha postura e afirmar que eu tinha um problema de coluna, ele pediu para eu encostar na parede de frente para ele e, em seguida, meteu a mão entre minhas coxas. Eu fiquei muito assustada, mas não soube identificar se os atos dele eram assédio ou apenas parte do exercício. Hoje eu sei que o mero fato de ele não ter me explicado os procedimentos antes de realizá-los por si só já configuraria assédio, mas na época isso não me veio a mente. Mas não parou por aí.

 

Na segunda e última sessão aconteceram os demais problemas que culminaram numa paralisia. Eu nem conseguia respirar direito. Eu fiquei me questionando o que era aquilo, mas não conseguia raciocinar. Dentre os diversos procedimentos que me deixaram sem ação, as "massagens, mas de luz apagada", que segundo ele iriam me deixar relaxada, foram as mais angustiantes da minha vida. As massagens começaram no pescoço e depois ele foi baixando pro meu esterno e peito, como se estivesse fazendo um exame de mama. Ao final dessa sessão tensa e cansativa, fui fazer minha sessão de acupuntura e não consegui relaxar em momento algum.

 

Eu fui pra casa pensativa e cabisbaixa. Eu pensava que o que havia acontecido era um procedimento médico, mas mesmo assim não me sentia confortável com aquela situação. Fiquei muito mal e liguei para um amigo que então me explicou o que estava me incomodando: eu havia sido assediada sexualmente.

 

Eu mal podia acreditar no que havia acontecido. Meu primeiro pensamento foi denunciar o infeliz para a clínica, mas antes eu tinha que ter certeza se os procedimentos que ele realizou eram reais do RPG ou se eram assédio puro. Contei tudo para uma conhecida minha fisioterapeuta e ela confirmou que os procedimentos devem ser explicados antes de serem realizados e que  não há massagens no peito e esterno das pacientes para sessões de RPG. Além disso, nenhum procedimento deve ser realizado de luz apagada. Ou seja,  ele foi muito além da situação, talvez porque já estivesse acostumado com tudo aquilo e por sempre sair impune das agressões. 

 

Depois disso, marquei uma reunião com os donos da clínica e eles me confirmaram que nenhum procedimento deveria ser feito de luz apagada. O cara foi despedido e consegui com aos donos no dados dele junto ao Conselho de Fisioterapia na intenção de fazer uma denúncia anônima, mas nunca fiz, pois precisava focar no meu doutorado. 

 

Os donos da clínica ainda me disseram que muitas clientes pediam para trocar de fisioterapeuta, afirmando que ele ficava muito no celular. E eu não consigo pensar outra coisa senão que isso era uma estratégia dele e que muitas podem até ter reconhecido o assédio, mas poderiam estar medo ou vergonha de dizer que tinham sido assediadas.  

 

Vários questionamentos me vem a mente até hoje. Se ele fez isso comigo, com quantas mais ele não deve ter feito antes? Com quantas ele ainda irá fazer? Talvez tenha sido pouco apenas denunciá-lo junto a instituição, mas naquele momento eu só tinha força para isso. E tudo bem! A gente só faz dá conta...

 

Voltei a clínica, mas fiquei com trauma de me submeter a tratamentos com homens para procedimentos médicos. Até quando teremos que passar por isso? 

* Relato enviado via e-mail como parte da campanha #minhahistoriadeviolencia lançada pelo Instituto Mana em fevereiro/18. A identidade da mulher que sofreu a violência foi preservada em respeito a escolha dela. 

 

Quer participar também? Compartilhe o seu relato nas suas redes sociais com a hashtag #minhahistoriadeviolencia ou envie sua história para o nosso e-mail: oinstitutomana@gmail.com

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